Fetraf-RS participa de seminário sobre agrotóxicos

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Mais de 800 pessoas, principalmente agricultores familiares, se reuniram na Assembleia Legislativa Gaúcha, para debater os impactos e as medidas de enfrentamento para a redução dos agrotóxicos no Rio Grande do Sul e Brasil. O evento promovido pela Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa Gaúcha por meio dos deputados Dionilso Marcon e Edegar Pretto contou com a participação da Ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, além de representantes do Ministério da Saúde, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Secretaria Estadual da Saúde, Famurs, Ibama, Agapan e movimentos sociais ligados ao campo.
Brasil é campeão no uso de agrotóxicos

A realidade brasileira e gaúcha em relação aos agrotóxicos coloca a população e autoridades em alerta. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, com 1 bilhão de litros por ano. A estimativa é de que cada brasileiro consome, através da alimentação, uma média de 7 litros de veneno por ano. Quando essa situação é analisada no estado gaúcho, se torna ainda mais assustadora: cada gaúcho ingere anualmente, em torno de 8,3 litros.

Necessidade de linhas de crédito específicas para a agroecologia
A coordenadora da Fetraf-RS, Cleonice Back, defendeu maior enfrentamento ao agronegócio,  linhas de crédito diferenciadas para a produção orgânica e assistência técnica especifica para a produção sustentável e comercialização dos alimentos da agricultura familiar. “A agricultura familiar pode produzir alimentos saudáveis e de qualidade e para isso, necessita de apoio especifico por parte dos governos. É inaceitável que recursos públicos sejam direcionados para a compra de agrotóxicos. Não tenho dúvidas de que os agricultores familiares podem produzir alimentos de verdade para o campo e a cidade”, exclamou.

CAR é a oportunidade de proteger quem preserva
A Ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, iniciou sua fala destacando a importância da realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR), e ao mesmo tempo, evidenciou o atraso do Rio Grande do Sul em relação aos outros estados. “O CAR é a oportunidade de trabalhar a transparência, de reduzir o uso de agrotóxicos e de reconhecer quem protege o meio ambiente. Façam o CAR, não permitam o retrocesso. O Rio Grande do Sul, que sempre foi pioneiro quase tudo, não pode se apequenar no cadastro ambiental”, conclamou.

Teixeira afirmou que os movimentos de agricultores familiares têm assento e diálogo permanente com o Ministério do Meio Ambiente.  Ela salientou ainda, a responsabilidade de municípios e estados na proteção do meio ambiente e disse que os governos devem entender a importância de ter órgãos ambientais fortes, com pessoas qualificadas. “O licenciamento ambiental não pode travar as coisas, é preciso fazer regras que se apliquem à realidade e que sejam implementadas”, enfatizou.

A ministra informou que o Ministério está implementando algumas ações para incentivar a produção saudável. “O Ibama está trabalhando com produtos de baixa toxidade para a agricultura orgânica. Também, estamos montando um grupo para reavaliação dos agrotóxicos” declarou.  Ela finalizou sua fala reforçando que é parceira na luta para a produção de orgânicos e redução dos agrotóxicos dos país.

A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural  (AGAPAN) que coordenou um dos painéis do dia, manifestou preocupação com a política estadual em relação ao meio ambiente, a qual propõe a extinção de órgãos como a Fundação Zoobotânica. Na mesma apresentação foram evidenciados os impactos dos agrotóxicos nas pessoas, tais como: depressão, câncer, suicídio, redução da fertilidade, dentre outros. Estudo apresentado pelo órgão mostra que os agricultores da região noroeste do Rio Grande do Sul são os mais ameaçados pelo uso de agrotóxicos no estado.

O deputado estadual, Edegar Pretto, um dos proponentes do seminário, salientou que apresentou três projetos de lei com objetivo de reduzir os agrotóxicos no estado. Um deles proíbe o uso do 24D. O outro objetiva por fim a pulverização aérea e o terceiro, propõe a rotulagem dos produtos, por parte das indústrias.


Informações e fotografia: FETRAF-RS