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SEMINÁRIO DA AGRICULTURA FAMILIAR CATARINENSE

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WhatsApp_Image_2016-10-11_at_10.27.06Entidades da Agricultura Familiar de Santa Catarina realizaram neste dia 11 de outubro na cidade de Lages planalto serrano do Estado um grande seminário para debater a conjuntura política, cenários colocados e projeções futuras organizado em quatro painéis, sendo dois pela manhã e dois a tarde.

Como mediador do primeiro painel Valdevir Both, o assessor de formação do IFIBE que fez abordagens sobre a ‘Conjuntura, Politico, Histórico e Perspectivas Futuras da Agricultura Familiar’. Segundo o professor, ao longo do século XX nós fizemos um pacto pelos direitos, percorrendo fases do ‘Capitalismo Regulado’ que inicia na década de 1930 até o ‘Capitalismo Desregulado’ no Brasil a partir da década de 1980. Este pacto pelos direitos culminou no pacto civilizacional estabelecido na Constituição Federal de 1988 do qual fomos incluídos como cidadãos. Neste pacto de direitos conquistados encontra-se a ‘Previdência Social’, agora sob ameaça.

A vida das pessoas está cada vez mais financiada dentro do capitalismo. A partir da segunda metade do século XX passamos ser arrancados de dentro de nós mesmos como indivíduos e relegados aos rótulos da produção, consumo e acúmulo do capital. Uma grande parte das organizações e sujeitos no final do século XX e outra parte movida por uma falsa certeza no início deste século que assumindo o governo em 2002 não precisaríamos mais de ação cidadã deixaram de ser sujeitos ativos da cidadania, da transformação refletindo neste cenário que estamos agora. Isto porque, uma sociedade ativa gosta, faz e sensibiliza para a importância da política, mas a nossa foi na direção contrária disso. Para Valdevir: ‘’precisamos voltar a estudar, elaborar, pois há um comportamento tanto perigoso pulverizando nossas entidades que é achar-se chique ter uma agenda lotada de compromissos. Quem não reserva tempo para, leitura, estudo, reflexão e formação não contribui para os avanços que a sociedade atual tanto necessita’. Pois, inseridos no contexto do ‘Capitalismo Regulado’ de 2003 á 2016 a sociedade civil formou quase ninguém, mobilizou muito pouco e estacionamos na elaboração.

As eleições municipais deste ano revelam que a pragmática minirreforma eleitoral somada aos programas de combate a corrupção via factoides, direcionados pragmaticamente destruíram a democracia representativa. A redução do tempo de TV, o uso de material restrito é uma forma de evitar o debate e tirar o indivíduo do espaço da política. Passamos a viver um tempo como nenhum outro, onde ‘O mérito ocupa o lugar da democracia e da política na sociedade atual – eles nos roubaram a alma’.  

O segundo painel abordou a temática ‘Conjuntura e Cenários da Política Nacional’ com a assessora da direção nacional da CUT Rosane Bertotti que tratou dos cenários da política institucional e ideológica a nível de país. Para a mesma, todos os avanços que tivemos no Brasil e na américa do Sul mostrou ao mundo do capital, principalmente ao imperialismo do norte que não mais precisaríamos deles, que não mais deixaríamos ser dominados. A reação a este processo se revela na estratégia golpista e ações de desestabilização nas democracias aqui na américa promovida pelos setores conservadores, de modo recente aqui no Brasil. Para piorar, existe uma certa acomodação das grandes massas de trabalhadores que antes mobilizávamos com maior facilidade e perguntou: ‘Vocês podem imaginar a agricultura familiar sem os bancos públicos? – mas, é o que vem por aí: a privatização dos bancos públicos e estatais como a Petrobrás. Vem aí, um tempo de grandes dificuldades para nossas entidades da agricultura familiar e concomitantemente aos nossos agricultores familiares. Enquanto isso, muitas de nossas lideranças acham que vão fazer a revolução pelas redes sociais, seus smartphones e seus aplicativos’ complementou Bertotti.

O terceiro painel a tarde iniciou com lançamento do Livro ‘Soja Orgânica, Versus Soja Transgênica’ do Professor Antônio Inácio Andrioli, vice-reitor da UFFS. Segundo Andrioli, o livro centra o foco de debate numa frase: ‘Como é possível dominar agricultores familiares somente através da técnica’.  Para o professor a cultura do agronegócio também atingiu os agricultores familiares, na lógica da grande produção, orientados por contradições. Principalmente aquela orientada pela técnica aprendida nas escolas agrícolas e demais instituições que a lógica da produção se dá pela soma simples: quanto mais insumo mais produtividade, quando na verdade não é isso que determina produtividade. Isso representa o propósito da transgenia, que surge da indústria química como grande fonte de lucro.

E complementou: ‘é importante ressaltar neste momento de grandes perdas nos avanços que tivemos ao longo dos últimos anos que o Ministério do Desenvolvimento Agrário-MDA não se trata de uma teoria, se trata sim, de uma realidade transformadora por mais de uma década. Sei que já tem por aí e ainda virá muitas avaliações apontando erros que cometemos, mas não acredito na ‘tese do erro’, embora tenhamos errado em algumas coisas, mas isso não pode ser o centro das justificativas. A história da formação faz a diferença, nós tivemos as CEBs, os grupos de reflexão - mas e esta geração que só viu o PT no governo onde eles têm recebido formação e informação? Os governos são cíclicos e este nosso pode ter chegado ao fim, por algum tempo. Há uma onda conservadora no mundo, ela avança sobre os continentes e isso fecha com o que vivemos no Brasil neste momento’.  Ao finalizar sua fala disse o professor Andrioli: ‘outra forma de avaliar se erramos é nos perguntar: Porque durante doze anos de grandes avanços e políticas para a agricultura familiar o êxodo na agricultura continuou alto’?

O último painel do seminário foi coordenado por Tomé Coletti, assessor representante da Universidade Federal da Fronteira Sul-UFSS que apresentou o projeto/documento ‘Multiplicando Estrelas: Construindo Cenário para Agricultura Familiar Catarinense’. Segundo o mesmo, o documento surge de uma demanda levantada pelas entidades Apaco, Cresol Central, Cresol Sicoper, Unicafes, Fetraf SC, ONGs e a UFFS para debater a realidade das bases em Santa Catarina e propor alternativas de articulação, organização e avanços necessários. Desta necessidade se consolida o grupo de articulação e proposição que organizou o seminário visando refletir sobre a realidade que estamos vivendo e propor através do projeto apresentado uma proposta de avanço.

Em grupos, as lideranças fizeram a leitura do projeto, debateram as propostas e acrescentaram proposições que foram apresentadas na plenária de encaminhamentos que encerrou o seminário. Segundo Alexandre Bergamin coordenador da Fetraf Santa Catarina, ‘o Seminário Estadual da Agricultura Familiar, atingiu os objetivos propostos que era reunir um grande número de lideranças de todas as regiões e diferentes entidades. Isso deu legitimidade e ótima representatividade, apontando para boas perspectivas na implementação e efetividade do projeto apresentado. Haja vista, que ele apresenta um calendário amplo de ações que iniciam no primeiro semestre do próximo ano e finda em meados de 2018. Sim, teremos muito trabalho pela frente, mas otimistas de bons resultados também.Só temos agradecer aos que participaram, as entidades que tornaram possível organizaram está atividade Apaco, Cresol Central, Cresol Sicoper, Unicafes, Fetraf SC, ONGs e parceria da UFFS, concluiu Bergamin. 

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Secretaria de Informação fa Fetraf Santa Catarina

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