Voce esta aqui: Home

SEMINÁRIO DAS SEMENTES CRIOULAS EM CHAPECÓ

E-mail Imprimir PDF
AddThis Social Bookmark Button

''A semente é a gênese do argumento’’

2016-09-02_11.18.50Neste dia 02 de setembro aconteceu no auditório da Universidade Federal da Fronteira Sul em Chapecó o ‘Seminário das Sementes Crioulas’ organizado pelas entidades do Campo: Via Campesina (MMC, MST, MPA, MAB, PJR, CPT) e Fetraf Santa Catarina. O objetivo da atividade foi debater o ‘Contexto atual das sementes Crioulas’, as ‘Ações que estão sendo realizadas a nível nacional e internacional no fortalecimento das sementes crioulas’, partilhar as experiências sobre o que existe de concreto no estado catarinense e possibilitar a troca de sementes entre os participantes.

O vice-reitor da Uffs, Professor Antônio Andrioli abriu o painel de exposição das falas dizendo que a semente guarda algo fundamental que é o conhecimento, a ‘semente é a gênese do argumento’, ela não pode ser reduzida a um mero produto comercial. De igual modo o conhecimento não pode ser fruto de apropriação, o que debatemos internamente na própria instituição se a patente de uma pesquisa pertence ao pesquisador, a universidade ou a própria natureza sendo ela propriedade da humanidade.

Segundo o professor Andrioli, nós vivemos um tempo de dependência, mas não só das sementes, e sim de toda uma cultura que vai na contramão do que a natureza nos propõe, uma cultura que reforça a concepção mercantilista de que uma semente produz mais que ás demais espécie de sementes. Dentro da academia nós produzimos e alimentamos uma crença como ciência aplicada que para se produzir mais por hectares depende apenas da quantidade de insumos que vamos usar. Este é um dos grandes mitos que temos no uso das tecnologias da produção de sementes qualificadas pelo mercado, que são apontadas como altamente produtivas por um lado e altamente contagiosas culturalmente por outro, porque o agricultor acredita que se não obtiver estas sementes qualificadas mercantilmente ele não vai produzir.

Nós temos uma cultura de disputa no campo hoje, que é a disputa pela concepção e modo de produção. É o confronto entre o modo mercadológico do domínio dos insumos industrializados e a produção no modo agroecológico. Mas há uma concepção básica e universal que todo agricultor é um ambientalista, onde for pelo mundo é possível se dar conta desta concepção. O sistema de mercantilização do campo levou-se acreditar que a agroecologia é algo novo, quando milenarmente é a origem na forma como produzíamos, sem o uso do agrotóxico e depreciação do meio natural para produção e sobrevivência.

Expositores em suas falas ressaltaram a necessidade de se orientar e estimular a produção de pelo menos uma espécie de semente crioula por família da agricultura, pois este é um modo de salvarmos muitas de nossas espécies de sementes que correm o risco de desaparecer como já ocorreu com algumas. Nosso sistema de agricultura ainda é jovem quando comparado com outras regiões do planeta onde se cultiva uma mesma espécie de trigo há mais de quatro mil anos e nós já perdemos muito das nossas sementes.  

Precisamos resgatar aquelas ‘festas das sementes’ no campo que já foram enraizadas em nossa cultura, nossos costumes, mas que perdemos ao longo dos anos. Precisamos entender que a agroecologia não é uma técnica, um produto da comercialização, ela é um modo de vida que tem um sujeito social e este sujeito somos nós.

2016-09-02_10.38.44

2016-09-02_11.18.30

2016-09-02_11.19.13



2016-09-02_11.19.20


Secretária de Comunicação Fetraf Santa Catarina

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Joomlart